terça-feira, 24 de julho de 2007

O Rock me errou




Como vão todos? Desculpe-me a demora, semanas agitadas, mesmo de férias, a vida não para e ainda continuo estudando, mas nem por isso tenho tempo de criar se quer. Embora que, nas últimas semanas, o dead-line daqui não tem sido cumprido. Mas me mantenho acesso ao meu espaço, não se preocupem. Hoje inicializo uma novidade no blog. Teremos presentes agui, além dos textos, as artes da minha amiga Alessandra Peguim – a Leka – leitora assídua do bar. Pra dizer a verdade, não sei como nós não pensamos nisso antes. E, por acaso, fizemos esse conchavo exatamente na semana seguinte do dia mundial do Rock. Vai ser orégano na certa.
Tenho que dizer: é exatamente o rock a principal influências desses textos, que não é só uma espécie de diário virtual ou coluna semanal de um jornal digital. E sim, o resgate introspectivo de uma alma humana, atingido à várias. E levando nessa linha, tomamos emprestada as palavras de Rice Mille Williamson, grande mestre do Blues: "O Blues é uma exposição do sentimento, da tristeza, da felicidade, das conquistas e do resgate da alma humana". E é nesse clima que vamos dissecar um breve sentimento meu por esse estilo de vida que revolucionou o mundo.
Não vejo nada no mundo, em termos de revoluções, cinema, artes plásticas contemporâneas, literatura e até invenções científicas sem este estilo consagrado. Hoje é mais fácil usarmos um grande evento com o elemento "Rock" para chamar a atenção de todos. Se alguém ousar a fazer um show de funk na praia ou micareta, inúmeras pessoas estarão longe dele. Se tratando de rock, todas as idades e gostos musicais estarão presentes sujando os pés de areia e dançando até quando pode. Isso é realmente muito curioso, porque todas as pessoas que se dizem estarem longe e desgostarem do estilo, é mais fácil se adaptarem do que qualquer roqueiro a um outro gênero musical. Lembro-me de sambistas, adoradores de micaretas e bailes funk presentes no show do Rolling Stones. Todos ficavam cada vez mais maravilhados quando Keith Richards soltava seus acordes ao céu e o Mick Jagger se enroscava nos microfones apelando "You Got Me Rocking Now". Todos ficavam estupefatos com a energia oculta que assolava em seus espíritos. O entusiasmo dos pulos em "Satisfaction". Dois dias depois o U2 tocava em São Paulo e o show seria transmitido na TV. Não se falavam de outra coisa a não ser o Rock naquela época.
É alarmante pensar que o recorde em ibope foram os Beatles tocarem em rede mundial e todas as TVs estarem de olho apenas nos rapazes de Liverpool. Em pensar que um jovem americano na década de 50 fez a cabeça das meninas e influenciou o modo de vida rebelde aos rapazes do mundo inteiro a se vestirem como tal, a dançar como tal e até cantar como ele. Elvis Presley reinventou a rebeldia. E hoje estamos com ela, sem aceitar conselhos errantes e pensamentos antiquados. Foi exatamente isso que o Bob Dylan disse quando recebeu prêmio de ícone e representante dos jovens. "Quero que os jovens mudem o mundo. Governem. Mas o que eu vejo aqui são pessoas de cabelos grisalho dizendo o que devemos fazer". Talvez isso foi o que caiu no esquecimento de nós jovens. Continuamos a ser mandados e a rebeldia foi usada ao pé-da-letra sem ajudar a mente de uma geração inusitada.
O Woodstock talvez seja o evento musical mais significativo para a história da música. E foi daí que aquela idealização de que o homem Rock é truculento, político e conquistador de mulheres foi arrancado. A essência fundamental do rock foi apresentado: o amor. O rock é o estilo mais fácil de se amar alguém. São nas palavras metafóricas e subjetivas que um sentimento aflora em notas e vozes rasgadas.
A diversão e a alma pedagógica nos deu o relaxamento e a curtição no rock. Isso foi na década de 70, quando os Stones depois do Mainstream e David Bowie mostrou o novo verdadeiro significado do gênero. Nos pondo ao ponto de dançarmos sozinhos e livres numa pista de dança. E os Sex Pistols foram as explicadoras de como tocar e cantar – mal – e fazer sucesso.
O Brasil sofreu com o determinado martírio. Bandas como Herva doce, Made In Brazil, Secos e molhados e Mutantes tentaram sobreviver com auto-chicoteamento em "O que será, que será?" ou frases de lenços e documentos. Não bastou para que artistas como Ira!, Legião Urbana, Barão, Lobão e Titãs do iê iê iê (depois ficou só Titãs). Até ser arrastado por palhaçadas como a Blitz e Doutor Silvana para afundar o reino. Demorou um bom tempo para se restabelecer (não houve este restabelecimento), mas levamos na memória bandas como Skank e Pato Fu até hoje. E ao decorrer bandas como Raimundos e Sepultura morreram na praia.
A palavra mais usada na década de 90 foi: "o Rock morreu". Inúmeras bandas revitalizou seus estilos com elementos eletrônicos, cultura de rua, mensagens diretas, bolinação em meninas e estupros indiretos. As pessoas que construíram uma história, voltaram-se para a música eletrônica ou se tornaram MPB (Música para bebericar). Quando, de repente, o rock volta novamente. Vira moda. Mauricinhos de plantão e punks de boutique (como diria o Tadeu) tiraram suas camisa pretas do armário e tiraram a poeira dos violões jogados nas estantes do quarto de empregada. E ele só não erra novamente, devido a grandes artistas que buscavam a áurea perdida. Mas caiu no ostracismo quando a disputa era grande com Hip-hops, techno e músicas regionais (no caso do Brasil).
Quando o rock tomou posto, emergiu um forte sentimento de liberdade e anti-repreensão. Não vejo hoje, ninguém, que nunca tenha deixado de ter parado para ouvir ou se emocionou com o rock. Ele vai continuar errando, morrendo e nós estaremos aqui dando novas diretrizes e ressuscitando um Jason, um monstro imortal, querido por todos nós.

Abaixo a árvore genealógica da religião rock:

Deus
Dançando colado, cabelos ondulados, barbas, cerveja, cocaína, filhos e casamentos.

Versículos:
John Lee Hooker - Spoonfull
Robert Johson – My Sweet Home Chicago
Howlin’ Wolf - Qualquer um.

Minha oração:
Rice Miller Williamson (com Yarbirds) – I Don’t Care Anymore

Adão e Eva
Dançarinos, cabelos em forma de bolo, danças esquisitas, topetes, costeletas desenhadas a mão, Bourbon com gelo, refrigerantes e paqueras.

Versículos:
Little Ricahrds - Tutti Frutti
Chuck Berry - Johnny Be Good
Elvis Presley – Heartbraker Hotel

Minha oração:
Ronettes – Be My Baby

Jesus Cristo
Cabelos compridos, danças esquisitas, Jack Kerouac, sem barba, cerveja, cigarro, maconha e casamentos com namoradas.
Versículos:
Bob Dylan – Blowin In The Wind
Beatles - Help
Rolling Stones – Satisfaction

Minha oração:
Rolling Stones – Gimmie Shelter

Hare-Chrisna
Cabelos compridos, barbas compridas, religião indiana, Wiskhy, LSD, heroína, sexo, sexo, sexo e casamentos fracassados.
Versículos:
Jimmy Hendrix – Stone Free
Pink Floyd – Time
Beatles – Tomorrow Never Knows
Minha oração*:
Derek & The Dominoes - Layla
The Band – The Weight
The Who – Baba O Ryley
* Desculpe-me, nesse é impossível dizer apenas uma oração.

Ganhesha
Cabelos coloridos, sem barba, sem religião, Wiskhy, LSD, heroína, sexo, sexo, sexo, pinturas nos rostos dos homens, meninas beijando meninas e casamentos.
Versículos:
Lou Reed – Walking On The Wild Side
David Bowie – Starman
Iggy Pop – Raw Power
Minha oração:
Slade – Everyday

São Pedro
Cabelo moicano, roupas com tachinhas, sem religião, corte nos pulsos, palavrões, sexo, sexo, sexo, todas as drogas injetáveis.

Versículos:
Sex Pistols – Anarchy In The UK
The Clash – London Calling

Minha oração:
The Clash – Straight To Hell

Nostradamus
Danças esquisitas, laquês, sem barba, roupas coloridas sem combinações, heroína, wiskhy, sexo, casamentos fracassados e maquiagens.
Versículos:
U2 – I Will Follow
The Smiths – Ask Me
The Cure – Boys Dont Cry
Minha oração:
Jesus And The Mary Chain – Head On

Madre Thereza de Calcutá
Danças esquisitas, roupas rasgadas, maconha, éter, sexo, sexo e sexo.
Versículos:
Legião Urbana – Será?
Barão Vermelho – Pro Dia Nascer Feliz
Titãs – Bichos Escrotos

Minha oração:
Ira! – Nas Ruas

Mahatma Gandhi
Camisa de flanela, danças estranhas, vozes pra dentro, cocaína, heroína, maconha, wiskhy, cerveja, sexo e casamentos.
Versículos:
Nirvana – Smells Like Teen Spirit
Pearl Jam – Jeremy
Stone Temple Pilots - Push
Minha oração:
Soundgarden – Black Hole Sun

Padres pederastas
Todas as drogas, todas as bebidas, dançando com a cabeça pra baixo, depressão e eventos culturais e sociais.
Versículos:
Radiohead – Fake Plastic Trees
P.J. Harvey – todas as músicas são as mesmíssimas coisas.
The Magic Numbers – todas as músicas são as mesmíssimas coisas.
Minha oração:
Radiohead – Paranoid Android

Inry Christy
Bares, elementos visuais, cervejas, maconha, cigarros e pouca importância pra imrprensa.
Versículos:
White Stripes – Seven Nation Army
Franz Ferdinand – Take Me Out
Queens Of The Stone Age – todas as músicas deles valem mais que qualquer uma dos padres.

Minha oração:
White Stripes – You’re Pretty Good Loking (For a Girl)

3 Comments:

tchuchuco said...

Òtima pauta mais para comemorar esse sagrado dia daqueles que acreditam num ritmo que motivou revoluçõers. Mais eu quero Entrevistas e Matérias rsssssssssssss (faça um blog profissional)

Anônimo said...

Hum... Não sei...
concordo com o colega acima, vc perdeu A OPORTUNIDADE. pois soube que ontem tinha entrevista com John do Patu Fú no bate papo do uol., quando souber de eventos assim tentarei me programar para acrescentar coisas bacanas ao site, Achei que falou muito e não disse nada.
Para mim woodstock só serviu para nos mostrar como os hippies da decada de 70 eram inuteis. só serviam para fazer música, isso sim eles faziam muuuuuuuuito bem. e rock dos bons, os melhores já visto na Terra. Fora isso, os seus filhos vendo essa deficiência de cerebros aproveitou para fazer fortunas nas bolsas de valores.
Bem quanto ao rock nacional, posso afirmar que teve um inicio dificil, hauhaua lembro da minha mãe dizendo que quando ouviram beatles e o rock nacional dava seus primeiros passos no Brasil ela ouvia minha avó gritando - delsiga esse som do capeta. Rock é musica do inferno, vc vai pra igreja agora se confessar... hauhauah acho que perdemos esse som do inferno e agora nada mais é demoníaco ou desafiador, são somente notas repetidas, com letras repetitivas em vozes iguais. Não mais a quantidade de musica que parecem serem as mesmas, pelas mesmas bandas, e por ncrivel que pareça são de uma banda que nunca ouvimos falar antes e desaparecem assim como apareceram... Há um descaso das gravadoras com pessoas realmente originaisl Ou será o movimento Idolos que começa a invadir o mundo????

B. said...

Caraca Fafenho não sei de onde vc tira tanta criatividade =P
hehehe
Bjundas