Post urgente!
Bem, como todos os amigos sabem, considero o Ira! como a melhor banda surgida no Brasil. Desde 1994, quando eu terminei com a primeira namorada, "Vivendo e Não Aprendendo" vem fazendo a minha cabeça. E agora em Abril eles lançarão "Invisível DJ" com músicas inéditas. E essa, "Eu vou Tentar", tem tocado (até muito pouco) nas rádios. Resolvi então, deixar essa música pra quem gosta e pra quem não teve a oportunidade de ouvi-la. Até porque ela vem bem a calhar.
Abraço.
sexta-feira, 30 de março de 2007
Postado por Fabrício Alves às 12:27 4 comentários
terça-feira, 27 de março de 2007
Todo mundo precisa de Supertramp
“Qual a mulher que vai querer ter um relacionamento com alguém que é fã do Supertramp?”, disse isso na semana passada para um amigo meu, o Mauro. Quando percebi o que disse, bateu como um tom nostálgico. Era o que nós costumávamos dizer as pessoas ao nosso redor que recrimiam-nos por sermos solteiros: “Quando casar vou colocar Listerning To The Music dos Dolby Brothers quando ela acordar, Woolly Bully pra almoçar com os pais e Africa do Toto pra pedir em casamento”. Rs. Penso nisso e começo a rir como nos divertíamos até quando estávamos na linha de sermos demitidos. Papéis higiênico grudavam nos tetos do banheiro para substituir um soco direcionado aos nossos superiores. E era motivo de mais risada. Desenhos em forma de Escrotinhos para contar histórias dos amigos, colegas e desafetos eram feitos e pendurados em murais dos corredores. Desenhos dos Los Três Amigos eram feitos de papéis de parede nos computadores para substituir o logo da empresa. Sponfull do Cream e Malagueña Salerosa saíam daquela sala minúscula e ecoava em todo o sétimo andar. Toda semana havia algo que inventávamos e repetíamos a semana toda. Não éramos fáceis. Para facilitarem as coisas, tiveram que trocar os plantonistas de Sábado para não ficarmos nos mesmos.
Chegamos novos na faculdade, eu tinha 20 anos e o Mauro 22. Tínhamos energia, ojeriza de certas responsabilidades e muitas idéias (muitas delas inúteis). Parávamos no corredor do sétimo andar, como se estivesse em algum pedaço do seu bairro, para ver as alunas novas e apostar em quanto tempo os alunos que caminhavam até o protocolo saíam irritados com o Sóstenes, um funcionário extremamente desligado. Quem perdia pagava a coca-cola das 20:30. Mas como o Mauro é uma das pessoas mais canguinhas do mundo (só perde para o seu irmão, o Pedro) na maior parte das vezes eram eu quem acabava pagando. Nossas linguagens eram repugnantes, para cada frase saíam três palavrões, mesmo que ela tivesse duas palavras. Os cardápio dos lanches mudavam de três em três meses: de 2001 pra cá, passamos, por biscoito de maizena com matte, pão com queijo com café-com-leite, biscoito da vaca com coca-cola e só mudávamos de acordo com a mudança da lua. Somos muito diferentes: eu sou mais comunicativo, o Mauro tímido, eu costumo ser mais carismático, o Mauro emburrado. Mas se percebessem bem, os dois eram exatamente os mesmos!
As tardes costumávamos andar pelo centro da cidade para nos abafarem dos problemas de casa, trabalho, faculdade e de paixões. Um reprimia o outro, porque ambos repetiam os mesmo erros. E tudo acabava em piada novamente. Houve, certa vez, um feriado que resolvemos nos se encontrar pra papear. As coisas andavam meio mal das pernas pra gente: não sabíamos o que fazer com nossas faculdades, mulheres que a gente gostava não correspondia, superiores loucos para nos demitir, aí resolvemos ir ao cinema assistir a Johnny English. Por sorte, desistimos, graças à Deus. Decidimos então parar num bar da orla de Copa, o lixão: Top Beer. Para a nossa sorte a Orquestra Sinfônica estava tocando em frente ao bar. Olhamos um para cara do outro e falamos: programão de índio! Desde então, depois deste passeio irrelevante, vimos o quanto nos divertimos e a tarde foi agradável. São nas simplicidades que vemos como a amizade é verdadeira.
Para quem nos via, éramos dois candidatos à velhos solteirões que vão morrer cercados de gatos. Respondíamos sarcasticamente dizendo que se tiver só uma cachorra estava tudo bem.
Depois de um bom tempo, Mauro saiu da universidade e eu fui transferido. Mas as coisas já não estavam da mesma forma. Começamos a tomar vergonha na cara e fizemos jus às nossas idades e responsabilidades. Mas continuamos a mesma bosta! E quanto a sermos solteiros, não se preocupe Mauro, alguém no mundo precisa de Supertramp.
Postado por Fabrício Alves às 11:56 1 comentários
terça-feira, 20 de março de 2007
The Weight
Boa noite, troquei de blog...pois é...aquele estava chinfrin. E o Tadeu, pra variar, me deixando no admirável novo mundo das tecnologias, me apresentou esse programa que coloca musiquinha no blog. E como eu não gosto de música, todos sabem, lhes lanço essa canção da The Band, The Weight, que fala sobre o "erro coletivo". É muito redentora e espiritual. É muita emoção como diria o grande MalVal! Então fiquem com ela! Abraço.
P.S. Ah, não me perguntem de onde é essa apresentação, peguei na net e o idiota não falou. Mas, se deliciem com ela.
Postado por Fabrício Alves às 18:32 3 comentários
Quando não funciona mais
Era noite de Domingo. O relógio marcava 23:47 e eu chegava em casa. Após dois dias agitados, chegando de manhãzinha e as bebidas (ai, as três cervas...) já haviam consumido meu estômago e minha mente, não há nada melhor que sossegar o facho nessa hora. Aliás, são meus únicos dias que eu o sossego: domingo e segunda. Invés de escutar as abobrinhas do Milton Neves e a reprise do linha de passe, preferi assistir aos DVDs que o Tadeu havia me emprestado: a primeira temporada de Johnny Quest. Separei quatro fatias de pão italiano com queijo prato, uma coca de 600 ml e um chicabon. Oba! Porcarias e desenho na TV. Mas aqueles desenhos estáticos, linguagens com pudores da década de 70, que só Hanna & Barbera sabiam escrever, e uma história idiota...aqueles 75 minutos me deixaram angustiado. Como eu havia desgostado de algo que eu glorificava?
Foi quando eu pensei em você. Aquele seu jeito de falar, seus cabelos, seu charme, nada, digo mais uma vez, nada, funciona mais! Da mesma forma que As Quatro Estações da Legião Urbana não entra mais na minha vitrola, como não abro mais os livros de Maurice Druon (O Menino do Dedo Verde, se lembram?), e beber Fruitopia são as mesmas coisas de antes. Para tudo tem seu tempo. Assim como os versos de "aquele gosto amargo da sua boca ficou na minha boca por mais tempo", como o senhor trovão tinha feito amizade com aquele menino ansioso e o gosto amargo daquela frutas cítricas não fazem mais minha alegria. Me lembrar de você, é ir a uma festa e dançar mamonas assassinas: não se pode gostar de algo que hoje não ligo mais.
Você é o asilo intelectual, como diria um velho amigo meu. Não há mais espaço, não há eixo dentro de mim que possa passar pelas minha glândulas. E quando o sangue ferver por outra pessoa, direi: "você devia fazer o mesmo que eu". Se o problema sou eu, venha até a mim que eu serei a solução. Você verá um realitty show totalmente do que está acostumada a ver. Tenho muito trabalho pela frente baby, não posso perder mais tempo com barracas de caldo de cana e pastel frito da tia.
Se todo o raio não cai no mesmo lugar, repito: não há espaço/eixo que se encontra dentro de mim. Te vi ontem no carro em frente ao supermercado, não é mais a mesma coisa quando a vi entrando na minha sala. Naquela vez, não me lembrava do quanto o Red Label e um maço e meio de cigarro haviam me feito mal, não me lembrava mais daquele show extraordinário do Lobão quando excursionava com o disco A Noite, que eu perdi por causa de você. Hoje eu me lembro de tudo isso. A minha saúde também. É estranho dizer que você entrou no meu submundo (quando saiu da minha vida) e passou pela era mais criativa da minha vida (quando entrou nela). Significa que os grandes artistas dependem da própria caveira. Obrigado por ter surgido na minha vida. Obrigado por ter quase a tê-la destruída. Obrigado por nada.
...do (ex) querido, Fabrício.
Postado por Fabrício Alves às 18:21 3 comentários
O magrela atirador de telefones
Para muitos, um intelectual. Para outros, um filósofo de bar d’esquina. Mas ninguém sabe o que aquele baixinho, matusquela e folgado pensa da vida. Tá aí: ele resolveu abrir o coração (para muitos, peludo). Se até os mais seres rastejantes como Fernando Henrique, excêntricas como o Paulo Francis e respeitados como Bob Dylan, deram a chave do orgão mais importante do ser humano, porque este iniciante, logo de cara, não pode?
Nervoso, tímido, explosivo, truculento e carrancudo (os telefones públicos e convencionais já o conhecem bem). Esses já foram os piores adjetivos que recebera. Para dizer a verdade, até gosta de ser interpretado como tal. Acredita no Erasmo quando diz que tem que manter a fama de mau. Mas o que acontece quando as pessoas realmente a conhece? Não sei, parece que aquela fama de pessoa carismática, simpática, engraçada e gente boa se faz por merecer. Aí ele fica se olhando no espelho horas perguntando se ele mesmo iria com a própria cara. "Não!", responde. Como um grosso e temperamental pode ser tão carismático? "Chega, vou acabar com isso! Amanhã vou sair pelas ruas xingando todo mundo e arrumando briga do trocador do ônibus ao professor que vai te encher a paciência". Até que o cachorro do posto, que o ataca todo o dia que chega, se aproxima e dá o seu último biscoito de goiaba.
Falante (às vezes fala tão rápido que nem Max Cavalera entenderia), não gosta de ficar calado um segundo. Nem de silêncio em milésimo. Mas às vezes precisa de que ninguém esteja dando um pio, ou não quer pessoas ao redor. Estar com ele, dá a impressão que está sentado num trem, você sente a terra se mexendo. Não tente disser que está errado naquilo que tenha certeza. Afinal, ele é um "intelectual". E nada é mais irritante a um intelectual que ser discordado com a sua convicção.
Seus personagens fictícios são homens. Mas homens-homens! Não existe nada daquilo que um homem sensível ou um mocinho de um filme resolvem entre cada frame cinematográfico. Tente entender, ele é sonhador, mas é realista ao extremo! Para ele não existe Orlando Bloom em Piratas do Caribe, ou Leonardo Di Caprio em Titanic, ou Clark Cable em ...E o Vento Levou. Existe um Don Corleone, que ajuda com o que (e quem) se preocupa. Um Travis Bickle, que em seu táxi se auto-corrompe com as escórias das ruas. Um Toni Montana que se arrepende e esquece de atos insuperáveis e que não tem como voltar. Um Bill Murray, como um sozinho na multidão Ele é assim: vive de ilusões realistas e plausíveis.
Às vezes se acha um trapo humano, que não vai mudar nada no mundo. Que nem o Greenpeace o chamará para plantar um pé de jiló. Outras, seu ego enche de uma imensa alegria e entusiasmo que até os mais viajandões é difícil de segurá-lo. Se você o acha complexo demais, olhe-se no espelho e repare bem o que tem feito desde de quando acordou. Verá que esse cidadão que o estão chamando de complexo, não fica longe de vocês. A normalidade é a sua maior virtude.
Eu sou Fabrício Alves e espero que voltem sempre. Se quiserem deixar comentário, agradeço. Mas lembro que não faço muita questão. Escrevo pouco sim. Acabou a era daqueles Hebreus de blog que tinham a mania de escravizá-los com textos do tamanho da unha do Zé do Caixão. E se eu não entender Paul Newman do que escreveu, agradeço também.
Abraço.
Postado por Fabrício Alves às 18:20 1 comentários