Sabe o que eu faria se eu crescesse na década de setenta, na época da ditadura? Iria à praia, jogava bola, escreveria livros psicodélicos, comeria cogumelo, tomaria um Sid Barret (droga alucinógena da época), acordaria nu com duas loiras de cabelos lisos e gigantescos em uma seita hippie do lado, escutaria Bob Dylan, detestaria Tom Jobin, glorificaria Os Novos Baianos e picharia nos muros que continha mensagens do AI 5: Betty Faria, Eu te amo!
Para quem começa a ler esse texto, ninguém devia estar imaginando que é o mesmo de sempre que senta o rabo aqui e posta palavras sem dores. Pois é, tenho andado com a pá- virada ultimamente, e, pra começar, doente. E, por estar doente, tenho lido os jornais e assistindo aos telejornais diariamente. É impossível não ficar irritado com a decrescente do país. O Euro e o Dollar abaixando, e nada podemos fazer, porque o retorno per capita não dá. Impressionado com o Mantega, que diz que não ter como abaixar o CPMF, caso contrário, aumentaria nossos impostos. Que me desculpem a grosseria no texto: é nos ajudando e fudendo ao mesmo tempo que conseguimos as coisas? O pior que a maioria da “cúpula suja” concordaram – até quem deu idéia (que palhaçada esse país) – com a indagação do Ben Kinsley brasileiro. Mais uma dúvida que esse país está nas mãos dos empresários e dos banqueiros? Não? Então vou continuar.
Alguém aí viu a fuça do Lula dizendo que em breve nossa educação será uma das melhores do mundo? Ora, ora, majestade barbuda, se queres tanto uma educação de alto nível, porque não faz que nem o Reagan: manda criminosos de Cuba pra cá. Aposto que aqueles bandidos tem mais educação e inteligência do que boa parte das caixa da Lojas Americanas. Mas espera....trazer criminosos né? Já está cercado deles em Brasília. Acho que não vai dar certo. E acho que o seu plano de educação – como a maioria – não vai dar certo. Você não entendeu que o povo brasileiro é mesquinha e oportunista, e vai querer se aproveitar do que só interessa à ele. Vide o plano-família, ou esquema-família, ou seja lá qual nome for. Aqui é uma espécie de Dogville; terra de oportunistas e mesquinhos, onde é ajudado os extremos: o pobre e o rico. Hoje é mais fácil um cineasta sair da Rocinha, do que aqui de São Cristovão. Não conseguia entender, mas aí vi o São Cácá Diegues, robin-hood dos frames oprimidos e desabrigados, quase gozando pelos filmes rodados nas “terras de paz, lindas, tranquilas, onde todos dão as mãos e se respeitam”, que é a favela. É bem óbvio, caso vocês não entenderam: dá público. Agora respondo à pergunta aos Bergman do morro: EU NÃO ME ENXERGO NA SUA REALIDADE, PORRA!!! Acho que entenderam.
Eu sei que é difícil ser politizado nesse país. Não da forma que penso. Também não quero que ninguém pense da mesma forma. Quero que só conclua suas opiniões e pensem a respeito. Caso contrário, o Jornal da Globo vai continuar no embalo humorístico até o fim do Programa do Jô.
Abraço.
sexta-feira, 27 de abril de 2007
O Teatro (de comédia) dos Vampiros
Postado por Fabrício Alves às 11:09 3 comentários
quarta-feira, 11 de abril de 2007
Eu, eu mesmo, Marcelo e o Ira!
No post anterior eu "lancei" a música do Ira!, "Eu Vou Tentar" aqui. Como todos, principalmente as que comentaram, disseram que eu tenha a cara do Ira!. É verdade, creio que eu tenho vestido o jeito "ira!" de viver. No blog antigo, o "Críticos do Nada", quando estava tentando mudar a cara da página, escrevei um texto sobre os quatro palistanos. Na época era uma forma de remodelar a atitude criança e moleque dos textos para abrir a cabeça das pessoas que acessavam todos os dias para colocar recadinho e comentário, para descobrirem alguma coisa nova. Ledo engano. Era a minha mente que começava a crescer, não o das outras pessoas. Quando eu encerrei a minha carreira ali, fiquei decepcionado e desapontado com as pessoas que escreveram. Ainda mais porque os membros eram muito diferentes de mim. Eu queria reinventar, mudar as atitudes e etc, mas aprendi de uma vez por todas que não sou eu quem devo mudá-las. É inocente dizer isso, sei, mas descobrir que você é diferente das pessoas já é uma grande vitória pessoal. E é exatamente aí que quero entrar nesse post. Dizer que sempre vesti o manto "Ira!".
Então hoje darei um de Forrest Gump, e contarei a história de uma das noites mais brilhantes de minha vida.
Era Domingo, dezoito de fevereiro, do ano de 2001. Depois de uma tarde monótona assistindo a um jogo na TV (geralmente minhas tardes são tediosas quando passam jogos do Fluminense, mas isso é outra história), calor de 37º graus, semana antes de carnaval. Aguardava ansiosamente um amigo, o Marcelo, voltar de Itaipú para tomar caminho da roça. O show começava com a banda "Cajamanga", às 20:30. Marcelo chegou 20:10, faltando vinte minutos para começar a apresentação. Tudo bem, pro Cajamanga eu não fazia a mínima ânsia de assisti-los, mas as portas do Canecão fechavam cedo! E o maldito 472 é uma leseira para chegar de São Cristovão para Botafogo, cinqüenta minutos em pleno Domingo, sem trânsito. Quando chegamos, nos surpreendemos: só haviam duas pessoas na casa de show! Dois bêbados encostados na grade: um vestido normalmente, o outro com a camisa do fluminense, com a 10 do Roger atrás. Perplexos, não pensamos duas vezes em encostar na grade ao lado daqueles doidos. Logo, fomos trocando papo. Não é difícil quando eu e o Marcelo nos juntamos em fazer amizade com sujeitos estranhos e inusitados. Conversamos sobre muitas coisas: o time do fluminense, o primeiro jogo entre Vasco e São Caetano, as pernas das Marisa Orth, subúrbios e Jimmy Hendrix e Neil Young. Quando percebemos, e olhamos para trás, já estava cheio, mais do que devia! Nos espantamos como quantas pessoas significavam o que era estar ali.
Eis que o mala do Rods In The Hooooooooooouse, apresentador do Cidade do Rock, da rádio Cidade, surge no palco para anunciar a "mais próxima sensação do rock carioca, e quem sabe, do Brasil". Não era diferente das bandas que eu e o Marcelo tínhamos ojeriza. Rock, hip-hop com aquela pegada do Rage Agains The Machine. O "novo" amigo do lado, com muita cachaça na cabeça e um bafo terrível de maconha, gritava: "Cajamanga du Caraaaaalho!". Pronto, primeiro motivo para se sentirem. Eu e o Marcelo ríamos desesperados com a atitude dos "amigos" e da banda que se achava os salvadores do Rock. O vocalista dava piruetas à la Iggy Pop, jogava água para o público, deitava no chão e sorria tão satisfeito quanto um assassino em série quando consegue cumprir sua missão. Eles fecharam o show com (adivinha?) uma música do Rage. Saíram extremamente satisfeitos com as palmas do povo, principalmente do tricolor que aplaudia sozinho. Eu e o Marcelo ríamos tanto, que nem deu tempo de aplaudir.
Depois de uns vinte minutos escutando o pior do rock mundial como Tias fofinhas, Bon Jovi e Boston, o anúncio veio: Ira! vinha surgindo. As luzes se acenderam, a euforia e o nervosismo se misturavam no coração dos fãs. Até aqueles quatro quarentões aparecerem no palco. O Edgar Scandurra com um casaco preto em pleno verão carioca ajeitava a guitarra e sorria para o público presente, Ricardo Gaspa só acenava e afinava o baixo, Nasi, ainda conversando com a galera que ficava no backstage, apagava o cigarro no palco mesmo e cumprimentava os fãs da grade (incluindo a gente) com as mãos, Andre Jung já sentava na bateria e batia com as baquetas. Nasi, ao microfone, anunciava o show com o famoso grito do Ira!: "Eu quero ouvir os gritos da Multidão!". Um eco seco, devido ao pequeno público, respondia. A guitarra de Edgar berrava para acabar com o silêncio musical e abafar o barulho daquele público pequeno e nada tímido. O set list era o mesmo do álbum. "Dias de Luta" ganhou novamente o grito de guerra que acompanhou o Ira! todos esses anos durante a guitarra de Edgar: "porra, caralho, cadê meu baseado?", e fazia cada vez mais sentido quando "É Assim Que Me Querem", fazia uma autocrítica da juventude passada, presente e futura, em referência às drogas. "Coração" fazia daquele público discreto mais surpreendente, quando a roda se abria, alguém se machucava e o mesmo cara que derrubava, levantava. Era uma "família descartável". Óbvio que eu ficava na minha, no lugar que ninguém me tirava, ouvindo apenas o som e curtindo o show. "Vida Passageira" paralisou tanto o público, que nem me lembro quando eles tocaram, já que eu estava tão vidrado. Mas se tratando de Fafas, todos sabem, não pode acabar 100% certo! Durante "Flores em Você", o público se sacudindo, e eu, totalmente amassado nas grades, acompanhava o público em transe. Um fotógrafo então, resolveu ficar na minha frente e, lógico, que as minhas mãos iriam atrapalha-lo na hora do disparo. Ele se virou pra mim e me xingou. E eu fiz o mesmo. De repente, no meio da música, você via um fã e um fotógrafo quase cerrando as mãos. O segurança se aproximou dos dois, e eu fiquei com uma leve sensação que eu ia acabar levando um esporro inocente. O fotógrafo deve que sair dali. "você quer fotografar logo nessa hora?" , disse o segurança. Eu ri da cara do Bresson e agradeci ao segurança estendendo a mão, o segurança não me deu bola, porque achou que estava bêbado ou drogado. Que papelão!
Pela frente do show, entra um convidado: Ritchie. Aquele mesmo de "Menina Veneno". Primeiro foi "A Vida Têm Dessas Coisas", que a banda regravou em "Isso é Amor" e logo "Mudança de Comportamento" fizeram do show um momento mais sublime. Um índio atrás da gente começou a gritar o nome do inglês, e combinou conosco fazer o mesmo. Logo o Canecão inteiro nos acompanhava.
O resto do show foi o de praxe: o Ira! apresentando músicas novas, "Logo de Cara" e "Inundação de Amor", clássicos como "Envelheço na Cidade" (a Leka ia adorar essa hora) e "Núcleo Base", e hits novos como "Bebendo Vinho".
Nem senti que foram tocadas vinte e uma músicas (eu sei porque um dos paulistas que pararam pra coversar com a gente roubou do palco o set list) e já passavam da meia noite de um show que começara 21:30.
Bem, Marcelo e eu resolvemos dar um tempo pra descansar e pra galera ir embora. Até que, atrás da gente, o camarim foi aberto para os fãs e o segurança perguntou se nós não íamos. Confesso, não estava nos nossos planos. O Marcelo, tímido, hesitou. E eu, cara de pau, pensei: porra, estamos só com o dinheiro da passagem, estamos duros, não quero ir de Botafogo pra São Cristovão com sede e fome. Arrastei o Marcelo e entramos no camarim.
Quando chegamos, o camarim estava vazio e os fãs faziam perguntas idiotas, como "quando você (Nasi) vai fazer regime?" ou "quando vocês vão lançar Cd novo?". Eu sussurrei pro Marcelo então: "pô, isso aqui tá mais embolado que os laterais do vasco". Até que o Nasi, interrompendo minha ponderação, responde: "Vasco? Você sabe que se não fosse o Eurico vocês não ganhariam o Brasileirão!". E eu, sarcasticamente, respondi: "Aqui Nasi, você está no Rio, putz, eu me preocuparia, porque pode passar um espião do doutor Eurico e te prender." E Sabendo da reputação do Nasi, os fãs ficavam olhando pra mim e pro Nasi, e pensaram:: "a porrada vai estancar! ". De repente os dois começaram a rir. O Nasi se esqueceu da bela loira que estava do seu lado e dos fãs baba ovo que estavam a sua volta, para discutir futebol comigo. Os que se metiam na conversa, desistiam, porque o papo estava entre a gente. Nos cumprimentamos, dei boa sorte para o time dele, ele é São Paulino, e retomou aos fãs sacais. Falei rapidamente com o Edgar e o André, e o Gaspa me cumprimentou mais calorosamente e me deu o copo d’água que me prometeu no palco. Quando eu ia embora, o Ritchie que estava escondido no camarim, foi abortado por mim. e ele também, muito simpático, me cumprimentou. E ainda me deixou pegar um copo de coca-cola light. Na hora de ir embora, me despedi novamente do Nasi. E ele me mandou trocar de time. Se eu soubesse que o Vasco faria o papelão naquele ano, teria seguido seus conselhos.
Pegamos um ônibus, o Marcelo pagou dois refrigerantes e pegamos o famoso 474. Rimos e pensamos que essa noite seria a mais perfeita que nós tivemos. Prometemos fazer uma banda e sermos famosos fazendo música.
Dia seguinte era o início das mudanças para ambos. Foi o fator que "essas tolices estragaram os nossos faz-de-conta".
Abraço.
Postado por Fabrício Alves às 12:16 6 comentários