terça-feira, 10 de julho de 2007

Oração para os jovens



Vejo os mais jovens de hoje sem nenhuma perspectiva. É incrível como se contentam com qualquer coisa. Quando digo "os mais jovens de hoje", incluo a minha geração também. Afinal, estou longe desses que tem 20 a 22. E quanto mais velho, mais distante deles vou ficando. Não importa suas idades avançarem. Quando entro em uma boate ou em algum bar, o que vejo são meninas ostentando, achando que é alguma componente da Pussicat Dolls. Champanhe, charutos e um armário – que mais parece ser segurança delas - com dinheiro ao seus lados. Os caras dançam ao som de uma Fergie ouriçada, levam drinks para elas, ganham um beijo, viram-se para um amigo e diz: "Peguei!". Há dez anos atrás "pegar" era outra coisa. Um idiota que estava na lapa um dia desses havia me dito a mesma coisa. E eu respondi: "Pô, você tem ejaculação precoce? Foi tão rápido assim?". Ele, ficou olhando pra mim assustado e ponderei: "Não se preocupe, se você a satisfez, tudo bem.". Dei as costas e fui para o bar pedir mais um chopp e fiquei lá observando o ambiente. Em pensar que já estive aqui, me deu uma angústia.
Estava numa festa regada a playboys e champanhe, me encontrava totalmente deslocado, e as crianças estavam bêbadas. Sentavam-se, escutavam a música do Neyo (sei lá, o nome do rapper) e emitiam um "uhuuuuuuu", levantavam-se numa rapidez e cambaleando para os lados para dançar a música nova da última semana. Eu achei que o Vasco havia feito um gol, juro. Afinal, o meu time jogava nesse dia. Eu ali, sem entender nada, bebia como um Bill Murray em Encontros e Desencontros.
Quando eu freqüentava as boates e festas de ruas eram as mesmas coisas. Eu ficava ali, parado, fumando e bebendo e assistindo uma penca de "popozudas" dançando Puro Êxtase do Barão Vermelho. Puff Daddy ecoava no som com aquela versão da música do Police, Every Breath You Take (ótima versão por sinal), e se misturava com fumaça de cigarro de baili e vinho quente barato. Esse cheiro me dá uma agonia imensa, que já me desespero.
Na época do Bonde do Tigrão não era diferente. Mas a minha tática já era outra, antes de ousar pôr os pés pro lado de fora, me enchia de REM e Queens Of The Stone Age, para que, quando chegar nesses lugares, Imitation Of Life cobriam "Cavalo de Pau/ Cacacacavalo de pau". Já conseguia ver as mulheres de forma diferente. As imaginavam dançando Satisfaction quando balançavam com "A dança da Motinha". Bendita era a época em que "Garota Nacional" do Skank fazia sucesso nas pistas, pensava.
Me afastei um bom tempo desses lugares. O que faria um fã de Supertramp e Dexis Midnight Runners nesses lugares? Me afastei e descobri o que eu queria na minha: beber com os amigos, falar de mulheres, Jesus Cristo, futebol e cinema.
Claro que eu acabei voltando à farra e descobri que não mudou absolutamente nada. Os funks com frases de cunho denotativo, cantoras histéricas fazendo duetos com rappers, cheiro de cigarro de baili, marombeiros e mulheres dançando hipnoticamente, rastros de cervejas no chão agarrando na sola do tênis...o bom filho à casa retorna, foi o que eu pensei. Parei de pensar nisso e me entreguei ao local.
Quando eu volto dos lugares me pergunto: como será a política daqui há cinqüenta anos? Juro, não quero estar aqui quando Gomorra se instalar de vez no Brasil. Daria para acreditar nessa juventude? Tivemos chance de reverter isso em 1992, se não fosse aquela meia dúzia de aproveitadores nas ruas protestando o governo Collor e a decadência da democracia. O rock de seattle asolava nossos corações, íamos para as ruas escutar música, jogar bola e eu e meus amigos de colégio imaginávamos a morte de Ulisses Guimarães como nos filmes de máfia.
Se desde 1997 o país continua o mesmo e só foi piorando a situação, o que será daqui pra frente? Será que em 2020 vamos nos tornar uma Venezuela ou Chile? Paris ou Bangog? Sinceramente, acredito piamente que vai estar na mesmíssima situação. Comodismo pela presente presidência, escândalos, CPI atrás de CPI, um especial na TV e nos jornais para o povo se emocionar quando a Xuxa morrer, continuaremos escondendo relógios quando um engraxate entrar no ônibus e a música – ah, a música – alegrando com o churrasco novo de cada semana que estais no céu, abençoai cada salário mínimo que cair na nossa conta junto com os juros nas contas dos banqueiros. Amém.

1 Comment:

Anônimo said...

Amém.

Pq eu não vejo futuro e nao tenho passado como todos de nossa misera geração coca-cola.