Tenho que dizer: é exatamente o rock a principal influências desses textos, que não é só uma espécie de diário virtual ou coluna semanal de um jornal digital. E sim, o resgate introspectivo de uma alma humana, atingido à várias. E levando nessa linha, tomamos emprestada as palavras de Rice Mille Williamson, grande mestre do Blues: "O Blues é uma exposição do sentimento, da tristeza, da felicidade, das conquistas e do resgate da alma humana". E é nesse clima que vamos dissecar um breve sentimento meu por esse estilo de vida que revolucionou o mundo.
Não vejo nada no mundo, em termos de revoluções, cinema, artes plásticas contemporâneas, literatura e até invenções científicas sem este estilo consagrado. Hoje é mais fácil usarmos um grande evento com o elemento "Rock" para chamar a atenção de todos. Se alguém ousar a fazer um show de funk na praia ou micareta, inúmeras pessoas estarão longe dele. Se tratando de rock, todas as idades e gostos musicais estarão presentes sujando os pés de areia e dançando até quando pode. Isso é realmente muito curioso, porque todas as pessoas que se dizem estarem longe e desgostarem do estilo, é mais fácil se adaptarem do que qualquer roqueiro a um outro gênero musical. Lembro-me de sambistas, adoradores de micaretas e bailes funk presentes no show do Rolling Stones. Todos ficavam cada vez mais maravilhados quando Keith Richards soltava seus acordes ao céu e o Mick Jagger se enroscava nos microfones apelando "You Got Me Rocking Now". Todos ficavam estupefatos com a energia oculta que assolava em seus espíritos. O entusiasmo dos pulos em "Satisfaction". Dois dias depois o U2 tocava em São Paulo e o show seria transmitido na TV. Não se falavam de outra coisa a não ser o Rock naquela época.
É alarmante pensar que o recorde em ibope foram os Beatles tocarem em rede mundial e todas as TVs estarem de olho apenas nos rapazes de Liverpool. Em pensar que um jovem americano na década de 50 fez a cabeça das meninas e influenciou o modo de vida rebelde aos rapazes do mundo inteiro a se vestirem como tal, a dançar como tal e até cantar como ele. Elvis Presley reinventou a rebeldia. E hoje estamos com ela, sem aceitar conselhos errantes e pensamentos antiquados. Foi exatamente isso que o Bob Dylan disse quando recebeu prêmio de ícone e representante dos jovens. "Quero que os jovens mudem o mundo. Governem. Mas o que eu vejo aqui são pessoas de cabelos grisalho dizendo o que devemos fazer". Talvez isso foi o que caiu no esquecimento de nós jovens. Continuamos a ser mandados e a rebeldia foi usada ao pé-da-letra sem ajudar a mente de uma geração inusitada.
O Woodstock talvez seja o evento musical mais significativo para a história da música. E foi daí que aquela idealização de que o homem Rock é truculento, político e conquistador de mulheres foi arrancado. A essência fundamental do rock foi apresentado: o amor. O rock é o estilo mais fácil de se amar alguém. São nas palavras metafóricas e subjetivas que um sentimento aflora em notas e vozes rasgadas.
A diversão e a alma pedagógica nos deu o relaxamento e a curtição no rock. Isso foi na década de 70, quando os Stones depois do Mainstream e David Bowie mostrou o novo verdadeiro significado do gênero. Nos pondo ao ponto de dançarmos sozinhos e livres numa pista de dança. E os Sex Pistols foram as explicadoras de como tocar e cantar – mal – e fazer sucesso.
O Brasil sofreu com o determinado martírio. Bandas como Herva doce, Made In Brazil, Secos e molhados e Mutantes tentaram sobreviver com auto-chicoteamento em "O que será, que será?" ou frases de lenços e documentos. Não bastou para que artistas como Ira!, Legião Urbana, Barão, Lobão e Titãs do iê iê iê (depois ficou só Titãs). Até ser arrastado por palhaçadas como a Blitz e Doutor Silvana para afundar o reino. Demorou um bom tempo para se restabelecer (não houve este restabelecimento), mas levamos na memória bandas como Skank e Pato Fu até hoje. E ao decorrer bandas como Raimundos e Sepultura morreram na praia.
A palavra mais usada na década de 90 foi: "o Rock morreu". Inúmeras bandas revitalizou seus estilos com elementos eletrônicos, cultura de rua, mensagens diretas, bolinação em meninas e estupros indiretos. As pessoas que construíram uma história, voltaram-se para a música eletrônica ou se tornaram MPB (Música para bebericar). Quando, de repente, o rock volta novamente. Vira moda. Mauricinhos de plantão e punks de boutique (como diria o Tadeu) tiraram suas camisa pretas do armário e tiraram a poeira dos violões jogados nas estantes do quarto de empregada. E ele só não erra novamente, devido a grandes artistas que buscavam a áurea perdida. Mas caiu no ostracismo quando a disputa era grande com Hip-hops, techno e músicas regionais (no caso do Brasil).
Quando o rock tomou posto, emergiu um forte sentimento de liberdade e anti-repreensão. Não vejo hoje, ninguém, que nunca tenha deixado de ter parado para ouvir ou se emocionou com o rock. Ele vai continuar errando, morrendo e nós estaremos aqui dando novas diretrizes e ressuscitando um Jason, um monstro imortal, querido por todos nós.
Abaixo a árvore genealógica da religião rock:
Deus
Dançando colado, cabelos ondulados, barbas, cerveja, cocaína, filhos e casamentos.
Versículos:
John Lee Hooker - Spoonfull
Robert Johson – My Sweet Home Chicago
Howlin’ Wolf - Qualquer um.
Minha oração:
Rice Miller Williamson (com Yarbirds) – I Don’t Care Anymore
Adão e Eva
Dançarinos, cabelos em forma de bolo, danças esquisitas, topetes, costeletas desenhadas a mão, Bourbon com gelo, refrigerantes e paqueras.
Versículos:
Little Ricahrds - Tutti Frutti
Chuck Berry - Johnny Be Good
Elvis Presley – Heartbraker Hotel
Minha oração:
Ronettes – Be My Baby
Jesus Cristo
Cabelos compridos, danças esquisitas, Jack Kerouac, sem barba, cerveja, cigarro, maconha e casamentos com namoradas.
Bob Dylan – Blowin In The Wind
Beatles - Help
Rolling Stones – Satisfaction
Minha oração:
Rolling Stones – Gimmie Shelter
Hare-Chrisna
Cabelos compridos, barbas compridas, religião indiana, Wiskhy, LSD, heroína, sexo, sexo, sexo e casamentos fracassados.
Jimmy Hendrix – Stone Free
Pink Floyd – Time
Beatles – Tomorrow Never Knows
Derek & The Dominoes - Layla
The Band – The Weight
The Who – Baba O Ryley
* Desculpe-me, nesse é impossível dizer apenas uma oração.
Ganhesha
Cabelos coloridos, sem barba, sem religião, Wiskhy, LSD, heroína, sexo, sexo, sexo, pinturas nos rostos dos homens, meninas beijando meninas e casamentos.
Lou Reed – Walking On The Wild Side
David Bowie – Starman
Iggy Pop – Raw Power
Slade – Everyday
São Pedro
Cabelo moicano, roupas com tachinhas, sem religião, corte nos pulsos, palavrões, sexo, sexo, sexo, todas as drogas injetáveis.
Versículos:
Sex Pistols – Anarchy In The UK
The Clash – London Calling
Minha oração:
The Clash – Straight To Hell
Nostradamus
Danças esquisitas, laquês, sem barba, roupas coloridas sem combinações, heroína, wiskhy, sexo, casamentos fracassados e maquiagens.
U2 – I Will Follow
The Smiths – Ask Me
The Cure – Boys Dont Cry
Jesus And The Mary Chain – Head On
Madre Thereza de Calcutá
Danças esquisitas, roupas rasgadas, maconha, éter, sexo, sexo e sexo.
Legião Urbana – Será?
Barão Vermelho – Pro Dia Nascer Feliz
Titãs – Bichos Escrotos
Minha oração:
Ira! – Nas Ruas
Mahatma Gandhi
Camisa de flanela, danças estranhas, vozes pra dentro, cocaína, heroína, maconha, wiskhy, cerveja, sexo e casamentos.
Nirvana – Smells Like Teen Spirit
Pearl Jam – Jeremy
Stone Temple Pilots - Push
Soundgarden – Black Hole Sun
Padres pederastas
Todas as drogas, todas as bebidas, dançando com a cabeça pra baixo, depressão e eventos culturais e sociais.
Radiohead – Fake Plastic Trees
P.J. Harvey – todas as músicas são as mesmíssimas coisas.
The Magic Numbers – todas as músicas são as mesmíssimas coisas.
Radiohead – Paranoid Android
Inry Christy
Bares, elementos visuais, cervejas, maconha, cigarros e pouca importância pra imrprensa.
White Stripes – Seven Nation Army
Franz Ferdinand – Take Me Out
Queens Of The Stone Age – todas as músicas deles valem mais que qualquer uma dos padres.
White Stripes – You’re Pretty Good Loking (For a Girl)
