quinta-feira, 12 de julho de 2007

Autópsia Cinematográfica

Estou retomando a uma nova sessão da Autópsia Cinematográfica. Sentam-se, preparem o chocolate, café, coca-cola, suco de cajú, pipoca e...divirtam-se. Mais uma película irá rodar na mente de vocês.
Há pouco tempo uma amiga havia me dito sobre artes palpáveis. Espectador se interagindo com as obras. Vivendo num sonho, num universo paralelo que só naquele momento podíamos estar. Notei, realmente, que o cinema não é exatamente este tipo de arte. O cinema não é exatamente uma arte. É uma conjunção de profissionais dispostos a contar uma história. Jean Renoir disse isso. Não concordo com ele. Creio que o cinema, a sétima e última arte inventada, iguala a obras literárias, pinturas e músicas. Tanto que é a obra que une todas elas. Essa arte é uma conjunção de pinturas reais e fotografias seqüenciais em movimento onde pusemos nossos sentimentos e cérebro projetado para mais de um bilhão de pessoas.
É notável que hoje o cinema sofre com o mercado, a venda excessiva de DVDs piratas e promoções nas lojas Americanas tirando o mais belo quando os irmãos Lumiére fizeram sessões para uma dúzia de espectadores, logo para o mundo: o entretenimento.
Hoje a venda dos DVDs piratas tem tanta expressão, que um filme, sem se que ter estreado em circuito internacional, já estão sendo vendidos em camelódromos, trens, centros comerciais e até em portas de banco. O maior exemplo foi Shrek 3, que tem como menor espectador nos circuitos referente ao segundo da série e 30% da população que vai freqüentemente ao cinema já assistiram. Um número talvez irrelevante, mas de suma importância se tratando em direcionamento de público. A sorte da Dreamworks talvez, seja a simpatia pelos públicos infantil e adulto pelo ogro verde. O novo Quarteto Fantástico já estão à venda no camelô mais próximo uma semana antes de sua estréia. É um passo para aqueles filmes que não tem estréia mundial.
Com essa demanda da venda de DVDs (essencialmente os piratas), o cinema deixou de ser uma obra sem interação, tornando-se impálpavel. As obras tornaram-se projetadas na sua TV de 20 polegadas com imagens surradas e legendas com erros oltografricros e ilegíveis.
Lembro-me de estar esperando desesperadamente a estréia de Kill Bill volume 2, até aparecer em minhas mãos UM não, mas DOIS CDs do filme divididas, da continuação da obra de Quentin Tarantino. Devo dizer que matei a sede que tinha do filme. Posso dizer o mesmo de Sin City, que demorou três meses para estrear no circuito nacional. Talvez ainda mais benevolente, já que Kill Bill estreou nos Estados Unidos em outubro de 2003 e só deu o ar da graça aqui em abril de 2004.
Quando eu assisti a esses dois filmes no cinema, não tive o mesmo impacto que tive quando assisti (canso de falar nisso) Cassino de Martin Scorsese. Não houve nenhum momento de um Fabrício extasiado com a história. O impacto havia ido embora. E o descanso da mente não foi exatamente quando fui ver o filme citado acima.
Para mim, assistir um filme no cinema é quase uma missa: você tem todos os rituais reunidos, a mente positiva, torcendo para que tudo dê certo e sentir satisfeito – ou não – com o resultado. Isso não é nada mais que a magia. Cinema que perde a magia, não é cinema. Um interrupção, uma palavra de um amigo do lado, a mão da namorada ao lado, pode desvencilhar todo o processo. É quase como um quebra-cabeça, que deverá ser montado sem margem de erros.
Vou longe: ET, de Spielberg, quando reestreou nas salas, não havia mais nada a não ser a mesma emoção que foi nutrida no início da década de 80. As crianças já eram outras, os tempos já eram outros e não fez o menos sentido para uma geração totalmente diferente daquela que Spielberg queria afetar.
Já Apocalipse Now, o Redux de Coppola, foi totalmente diferente. O filme tem cerca de oito anos mais velho que a obra do Sipielberg, mas o tema era mais antigo e direcionava para um público mais velho. E a jogada comercial da produtora, junto com Francis, foi perfeita. Estávamos a meses depois da paranóia de 11 de setembro.
É essa magia que o cinema, se seu filme for descuidado, tende a perder. Se assistirmos um DVD pirata, (claro, para mim, amante do cinema não faz diferença, faço questão de ir ao cinema para ver a fita no tamanho real) não teremos o mesmo efeito de antes. Dependendo do caso, até desgostamos e enjoamos da obra.
Não culpo ao público, pois é apenas uma vítima. Os preços altos dos cinemas de alto escalão afastou o espectador e arrematou o fechamento das salas de rua, outros que tiveram que se integrar ao sistema que a Cinemark e Severiano Ribeiro propuseram. E fica a pergunta: aonde ficam os irmão Lumiére nessa história?
Abraço.

3 Comments:

Anônimo said...

bem, vou preparar meus dedos, aquecê0los bem, porque lá vai uma metralhada de palavras.
Primeiro que os irmão lumiére criaram o cinema para a elite, desde que me conheço por gente, cinema é para a elite, uma burguesia hipócrita que tem sede de inovações, não se contente com um trem que parece saltar da tela em cima dos telespectadores. Além do mais, cinema dá muito dinheiro, como todo investimento de risco (e bota risco nisso) quando se investe alte se espera um retorno alto, para isso é necessario muuuuuuuuuuito dinheiro. Locação, atores ruins, atores bons, feios, bonitos, maus e bonzinhos, trilha sonora cara, locação cara, efeitos caros e os unicos vilões são os contrabandistas de imagem??? Não acredito.
A industria da música faturou milhões até a tecnologia começar a destruir sua visão mesquinha e hipócrita, é a evolução do capitalismo. Pirataria é o calcanhar de aquiles dos grandes magnatas e empresários sangue-sugas. Enquanto houve um meio de burlar o sistema havera pessoas para pular a cerca e arrumar um jeito de ver o que só a burguesia vÊ. É justo distribuir para que todos possam ter acesso a cultura, seja ela de massa ou intelectualista, o importante é ter acesso, as pessoas que compram um cd pirata, que fique bem claro, NÃO É, publico alvo do cinema. Quem ama cinema, quem consome cinema não se deixa abalar quando já sabe o final de shrek 3, ele já sabe pq anaquim se tornou darth vader, só querem ver com seus proprios olhos, ver a fotografia, chorar com o final da saga em saber que nunca mais terão a expectativa de um lançamento...
Apoio a pirataria como acesso a massa a cultura, só assim a industria terá consciencia que ela não faz um produto de facil acesso. além do mais, ng sai no prejuizo.

tchuchuco said...

O cimena no Brasil é para uma elite que tem condições de bancar um ingresso e não meio de inclusão social bastamos ver pelo número de salas de cinema q o Brasil tem.
Mais o cinema as vezes fascina por vezes nos colocar em outra realidade.
Eu comparo o cinema hoje em dia ao Rádio que dizem que vai morrer. Ver um filme no cinema te prende mais as pessoas mau comparando como escutar futebol pelo rádio a mim causa mais emoção do ver o jogo pela tv.

Desculpe fafas vc é um enterno defensor do cinema eu sou Rádio

Memories said...

Vamos lá. Munido de minha coca-cola e depois de uma doce conversa com minha advogada de plantão vou falar de cinema.
Bem... Concordo em partes com meu amigo Fafas. Veja bem, as lojas americanas presta um serviço a nós pobres viciados na sétima arte com seus preços baixos, afinal, Dvds no Brasil são o olho da cara, fora o fato de serem bem vagabundos e com poucos extras. Já quanto a pirataria, sou contra em partes e com certeza qualquer admirador de obras de circuitos alternativos vai concordar comigo. Estes piratas, tanto os das ruas quanto os da Internet, nos ajudam a ter acesso a filmes que não teríamos como chegar nem perto. Digo isso por experiência, fuço o “submundo” da Internet para conseguir um filme que nunca chegara as prateleiras brasileiras, ou com muita sorte, demorará 10 anos para termos um dvd de baixíssima qualidade.
As grandes distribuidoras não respeitam um publico que cresce enormemente e ficamos chupando o dedo ou com dvds pela mentade. Para provar que não estou falando apenas de cinema asiático dou como exemplo três filmes excelentes com dvds porcos. O labirinto do Fauno de Guilhermo Del Toro, Sin City de Frank Miller e Robert Rodrigues e Fale com Ela de Pedro Almodóvar. São filmes incríveis com versões de dvds mutiladas. O labirinto do Fauno, por exemplo, tem edição tripla lá fora e aqui temos um dvd simples com apenas um extra e uma faixa de comentários que só se encontra por acaso e nem aparece no menu nem na embalagem. A única distribuidora que está olhando para este publico é a Europa filmes que hoje lança edições especiais duplas em digipack por preços acessíveis (29,90) e esta relançando antigos sucessos com o mesmo capricho. Ainda falta muito para serem perfeitos, mas pelo menos estão lançando.
Por isso digo, para filmes difíceis no Brasil é impossível não recorrer a pirataria, a culpa é das distribuidoras e não da falta de educação do brasileiro. Eu prefiro o original mas se não tem vou de piratão da esquina mesmo.
E tenho dito
Rssssssssssssssssss

OS: Lady vingança demorou 2 anos e meio para chegar as telas tupiniquins e senhor vingança ta completando seu décimo aniversario agora rsssssssssssss Parabéns

Tadeu