Era noite de Domingo. O relógio marcava 23:47 e eu chegava em casa. Após dois dias agitados, chegando de manhãzinha e as bebidas (ai, as três cervas...) já haviam consumido meu estômago e minha mente, não há nada melhor que sossegar o facho nessa hora. Aliás, são meus únicos dias que eu o sossego: domingo e segunda. Invés de escutar as abobrinhas do Milton Neves e a reprise do linha de passe, preferi assistir aos DVDs que o Tadeu havia me emprestado: a primeira temporada de Johnny Quest. Separei quatro fatias de pão italiano com queijo prato, uma coca de 600 ml e um chicabon. Oba! Porcarias e desenho na TV. Mas aqueles desenhos estáticos, linguagens com pudores da década de 70, que só Hanna & Barbera sabiam escrever, e uma história idiota...aqueles 75 minutos me deixaram angustiado. Como eu havia desgostado de algo que eu glorificava?
Foi quando eu pensei em você. Aquele seu jeito de falar, seus cabelos, seu charme, nada, digo mais uma vez, nada, funciona mais! Da mesma forma que As Quatro Estações da Legião Urbana não entra mais na minha vitrola, como não abro mais os livros de Maurice Druon (O Menino do Dedo Verde, se lembram?), e beber Fruitopia são as mesmas coisas de antes. Para tudo tem seu tempo. Assim como os versos de "aquele gosto amargo da sua boca ficou na minha boca por mais tempo", como o senhor trovão tinha feito amizade com aquele menino ansioso e o gosto amargo daquela frutas cítricas não fazem mais minha alegria. Me lembrar de você, é ir a uma festa e dançar mamonas assassinas: não se pode gostar de algo que hoje não ligo mais.
Você é o asilo intelectual, como diria um velho amigo meu. Não há mais espaço, não há eixo dentro de mim que possa passar pelas minha glândulas. E quando o sangue ferver por outra pessoa, direi: "você devia fazer o mesmo que eu". Se o problema sou eu, venha até a mim que eu serei a solução. Você verá um realitty show totalmente do que está acostumada a ver. Tenho muito trabalho pela frente baby, não posso perder mais tempo com barracas de caldo de cana e pastel frito da tia.
Se todo o raio não cai no mesmo lugar, repito: não há espaço/eixo que se encontra dentro de mim. Te vi ontem no carro em frente ao supermercado, não é mais a mesma coisa quando a vi entrando na minha sala. Naquela vez, não me lembrava do quanto o Red Label e um maço e meio de cigarro haviam me feito mal, não me lembrava mais daquele show extraordinário do Lobão quando excursionava com o disco A Noite, que eu perdi por causa de você. Hoje eu me lembro de tudo isso. A minha saúde também. É estranho dizer que você entrou no meu submundo (quando saiu da minha vida) e passou pela era mais criativa da minha vida (quando entrou nela). Significa que os grandes artistas dependem da própria caveira. Obrigado por ter surgido na minha vida. Obrigado por ter quase a tê-la destruída. Obrigado por nada.
...do (ex) querido, Fabrício.
3 Comments:
Fala fafaso. Sua cara esse texto. Como vc disse pra mim é lendo seus escritos que vejo como nos somosdiferentes rssss ainda bem. To comentando aqui então vai la e comenta no meu tb, tem post novo e vc não comentou nada. Abração Tadeu
Fala filho da... Não li o texto! Só estou passando pra dar uma foça e dizer que já te linkei, cobrar o meu texto e te mandar ir se ferrar!!!! =P Escrevi sobre o que conversamos na quinta lá no meu blog... Lê aí:http://pensosintoescrevo.blogspot.com/2007/03/devaneio.html#comments Te amo Bjundas
Enfim eu li o texto..rs não posso deixar de perguntar, quem é a "dita cuja" tantas vezes em questão?! bjs
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