terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Confissões de uma mente poluída

Devo confessar: às vezes queria ser meu cachorro, o Korzus. Enquanto escrevo, ele está deitado no meu pé dormindo em um sono, que em nenhum momento será atrapalhado para fumar ou por pesadelo. Um sono em que não deva se preocupar com nada ao redor. Ao acordar, ele não olha para o relógio, nem acorda antes de um possível despertador.
Hoje, dia 11 de fevereiro, acordei numa súbita tremedeira e nervosismo. Uma grande alergia à vida tomou conta da minha pele. Não queria retomá-la tão cedo. Estava acostumado ao irreal e das mentiras. Devemos confessar que viver de mentiras é muito mais fácil. Mas é a maneira mais difícil de levá-la para sempre. Ok. É hora de levantar e ir enfrentar as tropas iraquianas, suas armas biológicas e seus argumentos incompreensíveis.
A partir de hoje, é comum encontrar inúmeras matérias sobre desemprego e maneiras de como organizar seu currículo. É, Korzuz, devo tirar os meus pés e incomodar seu sono. Queria te fazer companhia.
O meu suspiro é ouvido a quilômetros e aquela roupa que passei ontem é envolvida sobre meu corpo. Estava me sentindo como quando eu era garoto que esperava ansiosamente acabar a aula e ir embora antes do grandalhão, que arrumei confusão no recreio, resolva me fazer de mola na saída. Medo da briga. É bem parecida com essa sensação. Não adianta. Vou voltar com o olho roxo pra casa.
Na quarta feira de cinzas o padre dizia que devíamos jejuar os vinte dias até à páscoa. Isso seria uma boa desculpa. Mas até lá, iria para o beleléu de anemia. Não tem mais desculpa. A realidade é um remédio tarja preta. Ele cura as nossas alucinações temporárias. Blocos de carnaval, praia, leituras do jornal às 11:00 da manhã, café frio e Globo Esporte, tão cedo. Agora é textos, ônibus cheios, horas contadas, correria e café quente.
Parece que vejo meu futuro: 261 cheio, as mesmas músicas no player do meu celular, bater aquele ponto (que um dia vai me dar tendinite), o abraço da volta, o retorno das mesmas conversas, a divisão do mesmo trabalho, o café seguido pelo cigarro e a saudade de casa. Bem diferente da última tarde em que estivemos bebendo cerveja pré-natal.
Ainda sinto aquelas cinzas espalhadas que a sacristia deixou na minha cabeça. Espero que estejam me protegendo desde então. Faço o sinal da cruz. Tomo banho e me visto de preto como Johnny Cash. “Talvez esteja indo a um enterro”, dizia ele. O macarrão requentado de ontem e a carne moída frita com salsa esterilizada e queijo ralado em cima, encheram meu prato em câmera lenta. “Ótimo plano”, pensei. Ok, me chamem de Scorsese novamente. Isso me dá um apoio e tanto.
O Korzus acorda, porque sentiu o cheiro da carne temperada. Seus olhos esbugalhados concentram-se no meu. Achei que ele me hipnotizava como a legião do Paulo Coelho. Mas ele estava incorporado pela fome e gula, só isso. “Toma Korzus, coma o último pedaço”. E assim, ele limpa o chão. Levanto-me, escovo os dentes e parto para a luta. O meu medo da briga toma conta. Vou sair machucado nessa, pode ter certeza.
Agora chegou a hora. A retomada da vida. Essa é a natureza das coisas. Perdi muitas coisas nesses últimos meses. Coisas importantes, até. A natureza quer que a vida siga da maneira que ela, a vida, deseja. A natureza dá satisfações à vida, como eu a meu chefe. Acredito que a natureza do ser humano é querer viver feliz e estar tranqüilo a todo o tempo. Mas a natureza é morta.
Abraço.

2 Comments:

Alessandra said...

ah é.
eu li, tinha esquecido de comentar...
que fique registrado - EU LI.
sem muito pra dizer, estou cansada, ser criativa me cansou... estou com preguiça de pensar hoje. Mas meus dedos podem martelar as teclas do teclado a esmo o dia TODO. estranho néh? oq ue algumas pessoas demoram tanto pra fazer faço alienadamente, gosto de escrever, adoro o som dos dedos batendo no teclado, como nas redações de jornais, nos escritórios medicos ou qq lugar, adoro o som de uma maquina de escrever até mais do que de um teclado, PQ????
aquele cheiro de tinta, não importa, tinta de tecido, aquarela, nanquim, tinta de impressora, óleo ou acrílica, me sinto embriagada, assim como quando recebia folhas de provas recém chegadas do mimeógrafo, antes mesmo de ler, pegava e me sentia feliz - quentinha, cheirando a tinta e alcool, até esquecia que aquilo era uma prova, que me deixaria concentrada e se fosse de matemática então, era nota baixa na certa... Bons tempos. A única coisa que gosto de relembrar são os cheiros das tintas e só.
Não gosto desses pássaros de americana, barulhos estranhos, parecem ate que te agouram... muito barulhentos...

Não sei mas ultimamente só pesadelos tomam conta dos meus devaneios noturnos...

chega de bater no teclado. cansei também. Vc tambem deve ter cansado de ler.
Desculpa não comentar nada sobre o texto, que vagamente me lembro do seu cachorro deitado aos seus pés em algum dia chuvoso.

Gosto dos dias chuivosos, mas estou cansada demais para isso também.
Tchau. boa sorte no seu novo projeto, tomara que ele te deixe tão cansado como estou... É uma canseira ÓTIMA!! me sinto bem, me sinto viva. E acredite, há cheiro de tinta pela casa... ando pintando de novo, na sala, no quarto, na cozinha em todo cantinho tem um quadro novo que fiz e a tinta seca, espalhando seu cheiro inebriante pela casa. AMO ISSO.

Memories said...

ah é...
Eu NÃO LI.
Não li mesmo,só passei os olhos no primeiro parágrafo. Mas li o comentário da Leka inteiro rssssssssssss
E me desculpe fafas rssssssssss Mas pela primeira vez achei o comentario mehor que o texto... se é que posso dizer algo de uma coisa que não li... Que fique registrado não li seu texto rsssssssssssss
Que fique registrado tb que das tintas que a leka falou só não gosto do cheiro da óleo. Me enjoa, mas todas as outras eu amo tb HAHAHAHA Algumas até da "onda" se é que me entende.
Bem... depois eu leio o texto e comento aqui. Mas que fique registrado que não li ainda mas já comentei rssssssss
Abração
Tadeu