quarta-feira, 11 de abril de 2007

Eu, eu mesmo, Marcelo e o Ira!



No post anterior eu "lancei" a música do Ira!, "Eu Vou Tentar" aqui. Como todos, principalmente as que comentaram, disseram que eu tenha a cara do Ira!. É verdade, creio que eu tenho vestido o jeito "ira!" de viver. No blog antigo, o "Críticos do Nada", quando estava tentando mudar a cara da página, escrevei um texto sobre os quatro palistanos. Na época era uma forma de remodelar a atitude criança e moleque dos textos para abrir a cabeça das pessoas que acessavam todos os dias para colocar recadinho e comentário, para descobrirem alguma coisa nova. Ledo engano. Era a minha mente que começava a crescer, não o das outras pessoas. Quando eu encerrei a minha carreira ali, fiquei decepcionado e desapontado com as pessoas que escreveram. Ainda mais porque os membros eram muito diferentes de mim. Eu queria reinventar, mudar as atitudes e etc, mas aprendi de uma vez por todas que não sou eu quem devo mudá-las. É inocente dizer isso, sei, mas descobrir que você é diferente das pessoas já é uma grande vitória pessoal. E é exatamente aí que quero entrar nesse post. Dizer que sempre vesti o manto "Ira!".
Então hoje darei um de Forrest Gump, e contarei a história de uma das noites mais brilhantes de minha vida.
Era Domingo, dezoito de fevereiro, do ano de 2001. Depois de uma tarde monótona assistindo a um jogo na TV (geralmente minhas tardes são tediosas quando passam jogos do Fluminense, mas isso é outra história), calor de 37º graus, semana antes de carnaval. Aguardava ansiosamente um amigo, o Marcelo, voltar de Itaipú para tomar caminho da roça. O show começava com a banda "Cajamanga", às 20:30. Marcelo chegou 20:10, faltando vinte minutos para começar a apresentação. Tudo bem, pro Cajamanga eu não fazia a mínima ânsia de assisti-los, mas as portas do Canecão fechavam cedo! E o maldito 472 é uma leseira para chegar de São Cristovão para Botafogo, cinqüenta minutos em pleno Domingo, sem trânsito. Quando chegamos, nos surpreendemos: só haviam duas pessoas na casa de show! Dois bêbados encostados na grade: um vestido normalmente, o outro com a camisa do fluminense, com a 10 do Roger atrás. Perplexos, não pensamos duas vezes em encostar na grade ao lado daqueles doidos. Logo, fomos trocando papo. Não é difícil quando eu e o Marcelo nos juntamos em fazer amizade com sujeitos estranhos e inusitados. Conversamos sobre muitas coisas: o time do fluminense, o primeiro jogo entre Vasco e São Caetano, as pernas das Marisa Orth, subúrbios e Jimmy Hendrix e Neil Young. Quando percebemos, e olhamos para trás, já estava cheio, mais do que devia! Nos espantamos como quantas pessoas significavam o que era estar ali.
Eis que o mala do Rods In The Hooooooooooouse, apresentador do Cidade do Rock, da rádio Cidade, surge no palco para anunciar a "mais próxima sensação do rock carioca, e quem sabe, do Brasil". Não era diferente das bandas que eu e o Marcelo tínhamos ojeriza. Rock, hip-hop com aquela pegada do Rage Agains The Machine. O "novo" amigo do lado, com muita cachaça na cabeça e um bafo terrível de maconha, gritava: "Cajamanga du Caraaaaalho!". Pronto, primeiro motivo para se sentirem. Eu e o Marcelo ríamos desesperados com a atitude dos "amigos" e da banda que se achava os salvadores do Rock. O vocalista dava piruetas à la Iggy Pop, jogava água para o público, deitava no chão e sorria tão satisfeito quanto um assassino em série quando consegue cumprir sua missão. Eles fecharam o show com (adivinha?) uma música do Rage. Saíram extremamente satisfeitos com as palmas do povo, principalmente do tricolor que aplaudia sozinho. Eu e o Marcelo ríamos tanto, que nem deu tempo de aplaudir.
Depois de uns vinte minutos escutando o pior do rock mundial como Tias fofinhas, Bon Jovi e Boston, o anúncio veio: Ira! vinha surgindo. As luzes se acenderam, a euforia e o nervosismo se misturavam no coração dos fãs. Até aqueles quatro quarentões aparecerem no palco. O Edgar Scandurra com um casaco preto em pleno verão carioca ajeitava a guitarra e sorria para o público presente, Ricardo Gaspa só acenava e afinava o baixo, Nasi, ainda conversando com a galera que ficava no backstage, apagava o cigarro no palco mesmo e cumprimentava os fãs da grade (incluindo a gente) com as mãos, Andre Jung já sentava na bateria e batia com as baquetas. Nasi, ao microfone, anunciava o show com o famoso grito do Ira!: "Eu quero ouvir os gritos da Multidão!". Um eco seco, devido ao pequeno público, respondia. A guitarra de Edgar berrava para acabar com o silêncio musical e abafar o barulho daquele público pequeno e nada tímido. O set list era o mesmo do álbum. "Dias de Luta" ganhou novamente o grito de guerra que acompanhou o Ira! todos esses anos durante a guitarra de Edgar: "porra, caralho, cadê meu baseado?", e fazia cada vez mais sentido quando "É Assim Que Me Querem", fazia uma autocrítica da juventude passada, presente e futura, em referência às drogas. "Coração" fazia daquele público discreto mais surpreendente, quando a roda se abria, alguém se machucava e o mesmo cara que derrubava, levantava. Era uma "família descartável". Óbvio que eu ficava na minha, no lugar que ninguém me tirava, ouvindo apenas o som e curtindo o show. "Vida Passageira" paralisou tanto o público, que nem me lembro quando eles tocaram, já que eu estava tão vidrado. Mas se tratando de Fafas, todos sabem, não pode acabar 100% certo! Durante "Flores em Você", o público se sacudindo, e eu, totalmente amassado nas grades, acompanhava o público em transe. Um fotógrafo então, resolveu ficar na minha frente e, lógico, que as minhas mãos iriam atrapalha-lo na hora do disparo. Ele se virou pra mim e me xingou. E eu fiz o mesmo. De repente, no meio da música, você via um fã e um fotógrafo quase cerrando as mãos. O segurança se aproximou dos dois, e eu fiquei com uma leve sensação que eu ia acabar levando um esporro inocente. O fotógrafo deve que sair dali. "você quer fotografar logo nessa hora?" , disse o segurança. Eu ri da cara do Bresson e agradeci ao segurança estendendo a mão, o segurança não me deu bola, porque achou que estava bêbado ou drogado. Que papelão!
Pela frente do show, entra um convidado: Ritchie. Aquele mesmo de "Menina Veneno". Primeiro foi "A Vida Têm Dessas Coisas", que a banda regravou em "Isso é Amor" e logo "Mudança de Comportamento" fizeram do show um momento mais sublime. Um índio atrás da gente começou a gritar o nome do inglês, e combinou conosco fazer o mesmo. Logo o Canecão inteiro nos acompanhava.
O resto do show foi o de praxe: o Ira! apresentando músicas novas, "Logo de Cara" e "Inundação de Amor", clássicos como "Envelheço na Cidade" (a Leka ia adorar essa hora) e "Núcleo Base", e hits novos como "Bebendo Vinho".
Nem senti que foram tocadas vinte e uma músicas (eu sei porque um dos paulistas que pararam pra coversar com a gente roubou do palco o set list) e já passavam da meia noite de um show que começara 21:30.
Bem, Marcelo e eu resolvemos dar um tempo pra descansar e pra galera ir embora. Até que, atrás da gente, o camarim foi aberto para os fãs e o segurança perguntou se nós não íamos. Confesso, não estava nos nossos planos. O Marcelo, tímido, hesitou. E eu, cara de pau, pensei: porra, estamos só com o dinheiro da passagem, estamos duros, não quero ir de Botafogo pra São Cristovão com sede e fome. Arrastei o Marcelo e entramos no camarim.
Quando chegamos, o camarim estava vazio e os fãs faziam perguntas idiotas, como "quando você (Nasi) vai fazer regime?" ou "quando vocês vão lançar Cd novo?". Eu sussurrei pro Marcelo então: "pô, isso aqui tá mais embolado que os laterais do vasco". Até que o Nasi, interrompendo minha ponderação, responde: "Vasco? Você sabe que se não fosse o Eurico vocês não ganhariam o Brasileirão!". E eu, sarcasticamente, respondi: "Aqui Nasi, você está no Rio, putz, eu me preocuparia, porque pode passar um espião do doutor Eurico e te prender." E Sabendo da reputação do Nasi, os fãs ficavam olhando pra mim e pro Nasi, e pensaram:: "a porrada vai estancar! ". De repente os dois começaram a rir. O Nasi se esqueceu da bela loira que estava do seu lado e dos fãs baba ovo que estavam a sua volta, para discutir futebol comigo. Os que se metiam na conversa, desistiam, porque o papo estava entre a gente. Nos cumprimentamos, dei boa sorte para o time dele, ele é São Paulino, e retomou aos fãs sacais. Falei rapidamente com o Edgar e o André, e o Gaspa me cumprimentou mais calorosamente e me deu o copo d’água que me prometeu no palco. Quando eu ia embora, o Ritchie que estava escondido no camarim, foi abortado por mim. e ele também, muito simpático, me cumprimentou. E ainda me deixou pegar um copo de coca-cola light. Na hora de ir embora, me despedi novamente do Nasi. E ele me mandou trocar de time. Se eu soubesse que o Vasco faria o papelão naquele ano, teria seguido seus conselhos.
Pegamos um ônibus, o Marcelo pagou dois refrigerantes e pegamos o famoso 474. Rimos e pensamos que essa noite seria a mais perfeita que nós tivemos. Prometemos fazer uma banda e sermos famosos fazendo música.
Dia seguinte era o início das mudanças para ambos. Foi o fator que "essas tolices estragaram os nossos faz-de-conta".
Abraço.

6 Comments:

Memories said...

"Fala-te" rsssssssss
Fala musico frustrado hahaha
Falando serio agora. Otimo texto, to ate agora imaginando o seguraça te deixando no vacuo hahahahaha
Otimo, não desista de ser musico pois como jornalista vc é um otimo cineasta hahahahaha
Abração
Tadeu
PS: O "Nostalgia" esta no ar. vai ler la e comenta.

B. said...

Aaaaatchimmmmmmm takiu fafenho vc e Tuxo estão numa fase que já está me dando ate alergia de tanta poeira rssss
Bjundas

Anônimo said...

Ahuahuahauhauh eu realmente ia amar ouvir Envelheço na cidade direto dos caras, iria a loucura!!!!!!! choraria muito e depois faria um comentario no blog do fafas! hauahuahuah.
Gostei bastante do texto, isso sim esta com cara de jornalista! Pode até pensar numas cronicas. Quem sabe???
Pois é, sobre pessoas, amadurecimentos, essas coisas são internas, ninguém muda ninguém. Qdo menos se espera a gente cresce, as coisas bobas ficam pra tras, as coisas importantes ganham valores imensos e as lembranças viram boas histórias!!! To vendo que a idade ta começando a pesar pro povo carioca hein??? hauhauah.
Ah, um PS importantissimo, é paulistanos porra! hauhauh paulista é do interior e da capital é paulistanos! e não palistas. e vc abordou o Ritchi e não abortou, mesmo que vc tenha vontade vc ainda não é mulher! hauhauh. Se cuida maluco!

Leka

Anônimo said...

Eu persanogem vivo desse fato tenho dizer esse show marcou minha vida principalmente ao tocar núcleo base que eu tinha sobrado do quartel a 1 semana e alguns quebrados

Rafael da Silva Santos said...

Bem, não sou um escritor, contudo, acredito que este é o melhor projeto que Fafas elaborou.

Anônimo said...

http://markonzo.edu http://blog.bakililar.az/mohawkcarpet/ http://tempurpedic.posterous.com/ spare http://aviary.com/artists/tempurpedic http://www.freecodesource.com/user/profile-365274.html http://www.webjam.com/ashleyfurniture http://homeimprovementblog.net/node/4442 deere hoang http://aviary.com/artists/deltafaucets http://www.kdkeys.net/user/Profile.aspx?UserID=59872 http://www.pyzam.com/profile/3332340 http://www.bing.com/community/forums/t/657118.aspx tipped renter